Segunda-feira, Agosto 16, 2004

Fechado definitivamente.

E fim: É assim que as coisas funcionam, fim definitivo, “ponto final final mesmo”, sinceridade a toda a prova, vontade a qualquer custo e realizações sob qualquer obstáculo.

O fim desse blog está aqui.

Mudanças de planos, estratégias, lares, países... coisas que acontecerão com rapidez. Estou novamente de volta ao mundo dos fracassados, desiludidos, tristes e honestos. Sarjeta que me sinto em casa; a dois passos do mundo e enxergando tudo em branco e preto. Sem gosto, cheiro ou sabor, até que algo pinte e toque a minha alma, estou fechado para balanço e esse blog está fechado definitivamente. Sem comentários, sem pontes e sem emails... apenas um ponto orfão na linha da vida do passado, como deve ser.

Abraços a todos os estimados desconhecidos sem nome como eu.


PS.: após curta e ferrenha luta pela vida...
O suicida se matou.
20/06/04 - 16/08/04

Sábado, Agosto 07, 2004

Passageiro

Passageiro…

Em linhas paralelas ele vai andando, alimentado por lenha em chama e brasa/
Vapor e fumaça/
Lenha e brasa/
Chama/ meu nome por um apito/

Apita meu nome forte de longe/
Já vê outros longes horizontes/
Bem mais de perto agora/
Fiquei pra trás e o som do apito já não ouço, mas/

Apita, diz o maquinista que apita/
Não apita não/
No coração da fornalha a água esfriou/
Já vejo fazer curva no horizonte/

A fumaça do vapor ta longe/
De lá já vê outros horizontes/
A cidade nova que já foi velha se renova/
E recebe aquele que traz coisas novas/

Já vejo pessoas na recepção/
Agora o apito é outro/
Não apita mais pra mim/
De um jeito ou de outro, você locomotiva/

Passou por cima de mim/
Talvez por isso tenha apitado assim/
Meu nome, não apita mais/
De longe não sei o que faz/

Noticias boas de doa chegada chegam a mim/
Dizem que a viagem foi dura, muito dura sim/
Mas inteira e carregada chega o trem enfim/
Distribuindo carga ela fica leve de mim/

No topo e na frente/
No bico do apito/
O ultimo grito/
Não foi dado, mas não será pra mim/

Tarde e morro acidentado/
Num trilho de trem atropelado/
Carniceiros rondam esfomeados/
Não querem meu corpo gelado/

O apito não assusta mais/
Bichos não se intimidam demais/
Voam e observam, pousam e patrulham/
Meu corpo vai gelando e ficando suculento/

Os bichos esfregam as asas/
Longe de mim todos comemoram suas risadas/
Corvos e abutres me olham intrigados/
Tem respeito pelo ultimo respiro não dado/

Respiro não apitado/
Apito de misericórdia/
Grito de honra/
Aviso de banquete servido/


Sexta-feira, Agosto 06, 2004

Cordas, nós e pauzinhos

Apenas uma semana e eu já sentia falta de um final de semana.
Pouco tempo para a extrema necessidade de descanso. Dedicação máxima a uma coisa por vez. Esse sempre foi meu defeito (ou não). Quando pequeno, eu era mestre em escalar corda nas aulas de educação física. Mas em escadas de corda (aquelas com pauzinhos amarrados) sempre fui péssimo. Eu começava a subir e logo nos primeiros degraus eu já estava todo embananado, enrolado e desequilibrado. Mas quando era apenas a corda ninguém me batia. Demorou 10 anos para eu entender o motivo: Linearidade. Vejo as coisas boas pra mim apenas assim.

Simplifico ao máximo, ignoro os “skins” e me apego apenas à natureza da coisa. Lá atrás no passado, olhando a escada de cordas, eu via apenas nós complicados, engenharia duvidosa e um único sentido para a modalidade: Levar alguém pra cima. Nunca achei nada daquilo confiável e por isso nunca me dei bem. Já na corda, tudo muda. Vejo onde ela esta presa, testo e sinto todo o material, todo o contato, a força, e as limitações da corda são claras. Há risco, mas as surpresas são menores. Isso me atrai. Um desafio com riscos conhecidos e objetivo claro.

Levar pra cima; a escada e a corda fazem, e lá vou eu pela escada. Um, dois, três degraus, no quarto meus pés já estão forçando pra frente e me desequilibrando, no quinto quase escorrego, o sexto degrau é particularmente complicado e já soa burrice, no sétimo entendo o motivo do desequilíbrio: Centro de gravidade. O centro de gravidade do meu corpo é no peito, e agora já estou quase na horizontal, quase deitado no ar. O oitavo é por pura teimosia, e fui recompensado:
— “Bum”.
Um monte de gente em volta, meus óculos caíram, risadas, gritos, uns abanam... Entendi, agora entendi, acho que cai de costas no chão a dois metros de altura, meus pulmões estão sem ar e eu estou em choque, talvez eu tenha quebrado a coluna... Algo do tipo.

A dor da queda é especialmente mais presente. A vergonha, a raiva, a revolta, a humilhação, a inocência e a minha teimosia em “confiar” em algo complicado são pouco perto da dor da queda, da dor da derrota. Uns minutinhos parado e já volto a respirar, levanto, sacudo a poeira e encaro a corda. Acabou a graça e todos já deram as costas, agora é hora de eco, agora é hora de contarem a cena pros outros.

A corda, ao lado da escada que eu cai, está balançando. Levanto e pego a corda, subo e é fácil mesmo com minha dor. Posiciono minhas mãos com firmeza em volta da corda, enrolo a corda nas minhas pernas e mantenho segura com força perto do meu peito. Devagarzinho vou subindo, uma mão depois a outra. Não olho pra cima nem pra baixo, vou apenas subindo com a corda próxima do peito. Subo, subo, subo e agora o eco das risadas sumiu, só o silencio e o ventinho no rosto. Mais uns passos e estou no topo, ainda não olho pra baixo, mas tenho que olhar pra cima. O que vejo é um teto de telhas de alumínio acima da barra onde está presa a corda. Alguém fez um buraco sobre as telhas provavelmente para amarrar a corda ali. Apenas cobriu o buraco com uma solda simples, mas não vedou, poderia ser temporário. Um soco, outro e outro... Um mais violento e pronto, o sol brilha dentro do ginásio. Os raios demoram a chegar ao chão, agora daqui de cima tenho certeza que não ter olhado no caminho foi o melhor, eu sentiria vertigens. A essa altura vejo todas as coisas que me afligiram lá embaixo pequenas, nessa altura eu sou o mais alto. Aqui eu vejo o sol mais perto, ele me toca primeiro, o céu é mais azul. Ao lado duas cordas que formam a escada de onde caí. Nessa escada, os degraus acabam vinte metros abaixo, apenas as cordas chegam ao topo. Apenas aqui no topo da corda e perto do céu, eu começo a pensar no peso dos pauzinhos das escadas de corda. Esses pauzinhos pesam. E os nós? Com tantos nós, essa corda deve ser imensa mais pesada. Por isso que esta por um fio... Preciso avisar que subir pela escada está perigoso, ela é bem prática (não é pratica pra mim, mas há quem diga). De qualquer forma vejo que essas escadas de corda, nó e pauzinhos não são confiáveis. Daqui em diante, nada de nós, pauzinhos e afins, apenas cordas, apenas coisas simples.

Quinta-feira, Agosto 05, 2004

Fotofobia (malditas lentes)

Fotobia, hoje acordei com ela. Malditas lentes de contato... Não conseguia ficar com o olho aberto sem ficar com cara de Godzila (sim faço cara de Godzila). Fechar o olho (apesar do ardor intenso) ajuda. Caso eu feche os olhos, tenho que saber que quando eu abrir, ficarei virtualmente cego. Muita luz.

O sono era maior e mais gostosinho. No ônibus fechei os olhos, fui fraco. Cochilei cinco minutos, os outros cinqüenta e cinto foram para tentar me localizar e achar uma posição confortável para as malditas lentes no meu olho, arde muito. Sem elas fico cego e com elas não abro os olhos. Malditas lentes que me serviram aparentemente tão bem esses meses. Terei que encomendar novas. Caro... custam 200 reais quase. Valor de minha visão corrigida por graus altos de hipermetropia. Mesmo elas me causando tanto mal, não fico sem elas. Sempre de manhã acordo, viro pra direita tateio e lá estão elas, prontas para olhar para o mundo junto de mim, mas isso precisa mudar. Acho impressionante a minha cumplicidade com minhas lentes. Elas apesar de serem bem gentis no inicio, em pouco tempo se mostram maquinas de acumular vírus e enzimas prejudiciais, algumas cancerígenas até. Coisa malvada.
Meus óculos em contrapartida faz tempo que não os tenho. Eles cortavam minhas orelhas e me deixavam feio e esquisito. Abandonei os óculos, muitas dores de cabeça, muito sangue nas orelhas e muito sarro na cara... não dava mais.

Vejo através das lentes e sinto que estou ficando cego. Tem dias que acordo e a visão é clara, limpa e cristalina quando as ponho. Mas se durmo um dia com elas nos olhos, quase fico cego. Acordo com os olhos colados e ardendo, a visão turva e acinzentada. Malditas lentes. Momentos bons a um preço alto, bem alto. Quando vou poder dormir com elas como diz no manual? Sempre falam isso... todo lugar esta escrito isso (Maldito marketing e propaganda enganosa).

Cirurgia. Já sou crescido e está na hora de fazer. Laser nos olhos, um pouco de carne queimada e cheiro de churrasco e pronto, enxergo novamente. Preciso disso urgente. Sonhar em poder dormir sem me preocupar em guardar as lentes no potinho fechar bem pra não ressecar e nunca, absolutamente nunca fechar os olhos mais de 30 segundos com elas.

Ah, mas eu chego lá! Sonho em poder dormir, abrir os olhos e enxergar. Malditas lentes de contato que me fodem a visão, que deturpam a realidade. Maldita névoa cinza que deixa tudo obscuro e indecifrável. Agora vou tirar as lentes e dormir ao som de Tired of you - Foo Figthers)


Domingo, Agosto 01, 2004

Batata com sorvete

Prólogo:

Metrô, game-boy, Mac-Donnalds, dreads laranjas, batata com sorvete... Cara branca e boca rosada. Sete meses depois uma luz, alguém entra e não percebe a barreira, entra e se sente em casa. Não bateu na porta e passou pelo bloqueio sem nem ver. Batata com sorvete eu nunca tinha comido. Experimentei e amei no primeiro instante, no primeiro momento. Estou vivo novamente.


Batata com sorvete
1º edição.

Capitulo I A entrega.
Capitulo II A verdade
Capitulo III A cumplicidade
Capitulo IV A troca
Capitulo V A decepção
Capitulo VI O Açoito

Capitulo Final A gota

FDS (Fim de semana)

Fita em laço, vermelha e pregueada, como muitas outras que ela já recebeu. Dentro um presente engraçado... Como esses, ela já recebeu vários de outros também. Um presente meu... Já recebeu alguns.
No “dedo” do presente um outro presente simbólico. Algumas gramas de metal nobre formam a composição. Presente que se da pra quem se quer. Outro laço colorido pra enfeitar e está pronto para entregar. Não vejo a hora.
Idas, entradas, saídas, túneis, carros, Metrô, ônibus, carona, pessoas, caminhadas, táxis, quilômetros... Reencontro, finalmente o reencontro.
Corre de braços abertos, me pega e ma abraça (me sinto criança agora e disfarço as lágrimas), dou beijos desajeitados. Esqueço de respirar, volto a respirar. Não sei onde por a mão, o que fazer... Não estou calmo.

Andamos juntos, sentamos juntos... Há um problema e me ofereço a ajudar. Vim pra resolver outro, mas se existe um terceiro; resolveremos por que não?

Paciência, o hotel eu já visitei, o quarto é péssimo e nem me dei conta disso. Infiltrações no teto, banheiro minúsculo, janela pra rua, má iluminação. Não percebi nada disso porque há um problema maior que o quarto do hotel e a prioridade é resolvê-lo. Um problema de minha alçada: Fotos. Como as odeio agora. Fotos, malditas fotos.
Sento e mostro como resolver... Algo pisca na tela, será que fui eu?
Não, não fui, é ELE, ressurgido, aparecido e contrariando as regras do deletado e bloqueado. Colocando à prova uma verdade e um resto de confiança, mostrando que leis de Murphy existem. Se estiver ruim, é sinal que vai piorar. Piorou.

Esqueço de respirar novamente... Tremor, raiva, decepção, dúvida, insegurança, decepção, decepção, decepção, decepção, decepção.

Sete vezes decepção.

Reunimos-nos no quarto, e ainda não respiro. Agora eu percebo que é péssimo, agora voltei ao mundo, vejo novamente as cores e cheiros do mundo. Agora sim o quarto é ruim. Não comporta uma conversa.

Ela toma iniciativa e trocamos de quarto. Esse é melhor, sem graça, mas melhor... O frigobar aos pés da cama gela a água. Tem cerveja lá também; não bebo... Tem coca-cola (todos gostam de coca-cola) agora não gosto. O ventilador do teto é brega daqueles de cordinha com pás de madeira imitando coisa boa, fica sobre a cama e pela posição deve dar trabalho a ligar eu penso...
Alheio às coisas belas só estou vendo o pior, onde será que esta o problema? Onde está a maquina que irá me fatiar daqui a pouco? Pilhado já me preparo, adrenalina, pele fria e rija e lá vem:
Conversa, entorpecimento, nervosismo, mentiras, crimes. Não tenho pique pra investigação... Não escuto nada. De vez em quando o frigobar faz “tec”, sei que é o termostato ligando. Mais meia hora de conversa e textos decorados... “Tec” novamente... Agora fiquei nervoso, que merda de termostato!

/////// Um jantar programado, um presente guardado, um amor abalado. ///////

Carro, simpatias e conversa fiada, conversa agradável. Papo descartável. Voltas, curvas subidas e descidas. Chegamos, cuidado com o caracol; a escada, é caracol, sou alto e baixo a cabeça... assim de cabeça baixa subo para enfrentar aqueles que gostariam de me ver vencendo e feliz. De cabeça baixa tento ser ator. De cabeça baixa converso com os donos da cria.

Experimento peixe, dos bons, bem feito, feito com muito carinho. Minha opinião é importante e respondo não sei o que, está gostoso. Mas não é peixe que quero.
Quero gritar, quero sumir, quero correr, quero bater, quero fumar. Não faço nada disso. Nunca quis. Não sei o que quero. Dúvidas e só elas. Estou coçando a cabeça dando batidinhas na barriga e dançando “macarena”. Muita coisa.

Jantar agradável, conversa agradável, pessoas agradáveis. Não estou me agradando, não consigo entrar no clima. Estou mal e não consigo aproveitar nada. Estomago fechado, como pouco, dessa vez “mais” pouco do que o normal. Fim de janta e inicio de histórias. Papo agradável novamente, não é o que preciso. Não agora.

Privacidade, vácuo. Um lugar sem nada; nem vida nem tempo. Um escritório. Sala anexa. Tremo, não é de frio. Histórias, papos, conversas, explicações... Nada agradável.

Acordei e o que estou fazendo aqui? Acordei e por que estou aqui? Quero ir, quero ir agora. O “tec” do frigobar agora fez sentido. O filho da puta do “tec” fez sentido. O filho da puta do tec dizia: “Wake up”, dizia acorda desgraçado filho da puta. Vê se toma uma atitude,

Idas, vindas voltas, subidas descidas. Estou na porta do hotel que ainda guarda meu presente. Estou na porta do hotel com ela. Conversas, papos, histórias explicações. Não tem tempo, não tem clima, não tem condições, não tem explicações. Entro e bato a porta.
Entro e me jogo na cama. Entro e ligo o chuveiro. Percebi a água fria tarde. Eu estava mais frio que a água gelada me esquentando.

O presente na mochila. Compulsão de destruição. É de metal, na tentativa de quebrar me machuco, piso em cima, mas me escapa... Embaixo da cama, peguei. Bato a porta, raspo no chão, piso em cima, estou descalço e já é tarde, o chão é frio e cinza. Estou na rua.

Fitas em laços pregueados, dedo, presente, lixo. Tudo no lixo... A lata não me agüentaria se eu pulasse. Não está suja o suficiente.

Quarto: Uma duas três quatro paredes, um banheiro e um frigobar. Uma TV e ventilador de teto brega. Cama grande, até que confortável. Não assisto TV e não durmo em cama. Dormi sem chorar, dormi como pedra olhando para um vaso de flores artificiais. Flores fabricadas, beleza sob encomenda. Muitas belezas daquelas já foram feitas, iguais às outras... Durmo pensando nisso.

Manhã vem sono vai às 7:30, rolo, rolo rolo, rolo, sete vezes rolo. Crio coragem e levanto, me arrasto ao saguão que serve café até as nove e só chego nove e dez. Como pão, manteiga, presunto e queijo. Tomo suco de laranja e engulo gelatina. Gelatina gostosa. Saio, vejo o sol, caminho em círculos, compro jornal, sento na praça, o telefone invoca mais uma conversa. Não negaria.

Conversas em banco branco de praça, velhinhos passeando, igreja lotada de domingo. Conversas, conversas, conversas, conversas, conversas, conversas, sete vezes conversas. Sete explicações, sete porquês, sete verdades, sete resultados, sete destinos, sete complicações, sete...

Boca rosada em cara branca, mexe, mexe, mexe não escuto. Fiquei surdo. Choro e me rasgo por dentro. Boca rosada em cara branca, como sonhei em vê-la. Boca rosada em cara branca, como lhe desejo. Boca rosada em cara branca, como me magoou. Muitas coisas, muitas confusões, sete vezes confusões.

Horas, horas, horas, pouco perto dos dias e semanas sem boca rosada em cara branca.

Sete minutos foi o tempo do encontro à destruição. Sete vezes moído sete vezes açoitado, sete vezes humilhado sete vezes...

Hora de dar tchau, sete vezes tchau. Tchau sem beijos que desejei mais de sete, tchau sem abraços que sonhei mais de sete, tchau sem cheiro que imaginei mais de sete, tchau sem presente que procurei mais de sete, tchau sem mais nada. Apenas tchau a dois passos de distância ou mais.

Apenas um até mais e boa sorte. Apenas isso.


Choro, enxugo e estou de volta. De volta ao mundo. A dois passos de distância ou mais. De volta ao mundo e de costas para o passado. Sempre a dois passos de distância ou mais.

Epílogo.


Saldo:
O que levei: Um presente, um coração partido, um sonho, uma nova visão.
O que deixei: Um presente no lixo, um coração no quarto, um sonho no ar, meus olhos no escuro, minhas visões num armário. A dois passos de distância.
O que trouxe: Nada.
O que abri mão: Muitas coisas.
O que quero: Milagres
O que temo: Que muitas coisas aconteçam com alguém.
O que torço: Que muitas coisas voltem a acontecer, mesmo tendo medo, mesmo não sendo comigo, mesmo eu estando mal. Torço por muitas coisas boas.
O que morreu: Muitas coisas.
O que restou: Um mundo a dois passos de distância, um e-mail, dois telefones.

E agora?

Agora junto minhas lagrimas, guardo minhas angustias, mato minhas pretensões, ignoro meus medos, atropelo minhas vontades e encaro o mundo a dois passos de distância na esperança de alguém atravessar os portões como já fez. Na esperança de alguém entender o que quer e porque quer. Na vontade de alguém não pensar em quantas fichas vai jogar. No intuito de deixar as coisas fluírem e quebrar barreiras. No sonho de um dia poder confiar, no sonho de um dia poder me entregar e ficar junto de boca rosada em cara branca. No sonho de que boca rosada em cara branca queira o mesmo. No sonho de tornar as coisas simples como 1+1 são um.

Quinta-feira, Julho 29, 2004

Tédio.

Dia desses estava eu discutindo sobre tédio com a Nat.
Achei esse texto que fiz com 14 anos (faz muito tempo) e resolvi postar.
Pra mim tédio é isso... Dúvida eterna. Quem não tem tédio é hipócrita. Como se divertir e levar a vida pra frente se nem entendemos o sentido dela? Sendo ignorante aqui, burrinho ali, bobinho acolá... Acreditando (de “mentirinha”) que existe um sentido e um motivo real nas coisas. Acreditando um pouquinho em casualidade e um pouquinho em futilidade também. E principalmente, fazendo de conta que entendemos algo sobre o assunto.
Sim, ou somos entediados, ou somos superficiais. Sou um pouco dos dois. Entediado quando lúcido; superficial quando entorpecido. Sou um tédio.

Tédio

Procuro algo pra fazer,
Não encontro.
Nem consigo sofrer!

Procuro alguém pra conversar,
Não acho.
Nem consigo falar!

Procuro algo pra olhar,
Não vejo.
Nem consigo admirar!

Procuro algo pra comer,
Não gosto.
Nem consigo ter fome!

Pra que? Por quê?
Pra onde? Pra quem?

Por mim?
Por vós?
Por sós?
Por nós?

Quem? Quando? Onde?
Eu? Agora? Aqui?

Estou com frio.
Que diferença faz?
Quero ganhar.
Sei o que?

Talvez se eu...
Eu... Eu nada.
Quem sabe se...
Se... Coisa alguma.

E deus? Quem?
Qual? Não Vi!
Será?
Morri? Nasci?

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Segunda-feira, Julho 26, 2004

Olho

Bolinha de carne porta da alma,
Maldito seja teu poder.
Molhadinho e exposto,
Tão frágil há de ser.

Rola de um lado pro outro em par,
Tudo que faz é humilhar.
De alguns saem fogo,
Fecham-se quando vem o gozo.

Registra com rapidez,
Deforma fibras no cérebro do freguês...

Bolinha de carne porta da alma,
Maldita seja a tua cor,
Preto, verde ou amarelo,
Azul ou marrom seja o que for.

Rola de um lado pro outro em par,
Tudo que faz é informar.
Transforma o bem em um mal sem sal,
Nem sempre mostra o que é real.

Uns já vem com ele aberto,
Outros fecham, pois são espertos.

Bolinha de carne porta da alma,
Enxerga de plumas a áureas.
Bolinha de carne porta da alma,
Maldiz o bem sem pouca história. 

"Porque ver; é opção"  

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